miércoles, 8 de febrero de 2012

RAMIÑA DE poemas de PIMENTA

 PINCHA NOS POEMAS E NO RETRATO E TENDRAS UNHA ANTOLOXIA DE PIMENTA


RAMIÑA DE poemas de PIMENTA

 PINCHA NOS POEMAS E NO RETRATO E TENDRAS UNHA ANTOLOXIA DE PIMENTA


jueves, 2 de febrero de 2012

ALBERTO PIMENTA, NOVAS SOBRE A LIBERDADE


o dia trece de febreiro leremos ao poeta libertario ALBERTO PIMENTA, é un dos poetas vivos mais impotantes de Portugal. Atravesa parte do século XX coa súa voz izada sobre as escombrearas da mentira, sobre as ruínas do Poder. Imposible silenciar ao poeta libre como condicion da dignidade. Un home que jamas dobrouse ante a violencia do medo que o poder xestiona. Terlle entre nós é un pequeno acontecemento.
Estais todos invitados o Luns 13 de febreiro ás sete e media da tarde, como é habirual na BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FERROL. Saúde


Alberto Pimenta (Porto, 26 de Dezembro de 1937) é um escritor, poeta e ensaísta português.
É professor convidado na Universidade Nova de Lisboa.

Destaca-se entre os autores europeus contemporâneos pelo carácter crítico e irreverente da sua obra, bem como pela diversidade dos géneros abordados: poesia, ficção, teatro, linguística, crítica, e até mesmo happenings e performances.
Pimenta foi Leitor de Português em Heidelberg, contratado pelo governo português a partir de 1960 até 1977, data em que regressa a Portugal.
O caráter insurrecto e experimental da sua obra ainda tornam Alberto Pimenta um autor controverso no meio académico português.


Poesia publicada: 1970 - O labirintodonte (Lisboa); 1971 - Os entes e os contraentes (Coimbra); 1973 - Corpos estranhos (Coimbra); 1977 - Ascensão de dez gostos à boca (Coimbra); 1980 - Jogo de pedras (Lisboa: Apia) - Antologia; 1981 - Canto nono (Lisboa); 1982 - Homilíada Joyce (in Joyciana, com Ana Hatherly, E. M. de Melo e Castro e António Aragão, Lisboa: &etc); 1983 - In modo di-verso, (Salerno: Ripostes); 1984 - Adan (Lima: Hueso número); 1984 - Read Read & Mad (Lisboa: &etc); 1986 - Metamorfoses do vídeo (José Ribeiro Editor); 1988 - The Rape (Lisboa: Fenda); 1990 - Obra quase incompleta (Lisboa: Fenda) - Poesia reunida; 1992 - Tomai, isto é o meu porco (Lisboa: Fenda); 1992 - A divina multi(co)média (Lisboa: &etc); 1993 - Santa copla carnal (Lisboa: Fenda); 1996 - A sombra do frio na parede (Porto: Edições Mortas); 1997 - Verdichtungen (Viena: Splitter); 1998 - As moscas de pégaso (Lisboa: &etc); 1998 - Ainda há muito para fazer (Lisboa: &etc); 2000 - Ode pós-moderna (Lisboa: &etc); 2001 - Grande colecção de inverno 2001-2002 (Lisboa: &etc); 2002 - Tijoleira (Lisboa: &etc); 2004 - A encomenda do silêncio (São Paulo: Odradek Editorial) - Antologia; 2005 - Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta (Lisboa: &etc); 2006 - Imitação de Ovídio (Lisboa: &etc); 2007 - Indulgência plenária (Lisboa: &etc); 2007 - Planta rubra (Lisboa: &etc); 2008 - Prodigioso Acanto (Lisboa: &etc)


Ler biobibliografia pormenorizada em : Wikipédia


A. Pimenta não está na poesia para carpir males, fazer montra com o que saiba; não é a sua moeda de troca a salsugem baça e falsa da chamada cultura. Não come desse pão. Apenas poderemos esperar o inesperado – como no rifão quase pop –, o real feito por quem se expõe na arena nua e assustadora dos poemas, de outras jaulas. É alguém que se entrega em quanto tem para oferecer, em cada breve, em cada extenso pouco ou muito de si – «nós/com a boca/saboreamos/lanhos/que a nossa boca/abriu/e que nunca mais/cicatrizarão.» (p. 29)

A sua poesia vive dos atropelos de cada aspecto (seria impossível delimitar o seu escopo) da vida; no seu desconcerto, diz-nos mais sobre o podre de cada dia do que as mais puras derramadas lírico-doces elegias do nosso (des)contentamento. Em Alberto Pimenta, poesia é puro combate: contra o absurdo de viver, o absurdo radical, o tão informado, destruído mundo das palavras que se movem entre as ruínas e os cantos elevados do corpo – «sinto já/as tuas veias crescidas/do sangue que se apressa,/com um gesto do corpo todo/esperas…/ah, que eu as siga/não só com os olhos./repara como estou/preso agora/neste dobre de palavras!» (p. 16) Como podemos ler, depois de A. Pimenta, nessas tépidas águas em que navegam grande parte dos poetas de Portugal? Não há prebendas, não há prémios, não há Gallimard, nojo internáutico, náusea pós-moderna para este poeta tão pouco literário. Quanto mais perto da vida, mais longe de tudo isso. São dele estas palavras: «de todos os poetas vivos e mortos sou o menos poético por ser o mais exacto» (numa conferência intitulada A Metáfora Sinistra, em que trata o tema da masturbação, vista pela escrita).

Por que motivo, então, Ovídio? Como o poeta, nos seus Tristia, que Pimenta cita em epígrafe, há um diálogo com uma segunda pessoa – «nós somos um par de instrumentos solitários/também solidários/o nosso papel é pequeno/começa e acaba aí.» (p. 9) –, que vive dentro dos poemas (se me desculpam a frase) e que o poeta toca e chama com os seus versos. Talvez porque A. P. tenha, aqui, construído não um novelo de mitos, como Ovídio, nas Metamorfoses, mas um real que nos surge como mágico, como a face do que seja o amor – «algo em mim/caminha/ ao teu encontro» (p. 43). Talvez, ainda, porque Alberto Pimenta nos apresenta uma espécie de cosmologia que, sendo vivida no deserto de dois, se abre ao mundo que os recebe, que os lê, para se desintegrar, como o tempo. Tempo esse que, de resto, é veio essencial nestes versos, especialmente, mas não só, no segundo momento de Imitação de Ovídio. É um tempo de dentro, mas não solipsista e escavado; mas é, na verdade, interno – «este nosso futuro presente/dentro de si» (p. 25). O poema instala um tempo definitivamente não cronológico (e, contudo, como não o ser?), que corrompe, em silêncio, a lógica, o mundo, a duração «o tempo/é uma equação./nós sabemos que não». Será isso?


OUTRA PEDRIÑA:
"Portugal é "igualzinho" aos outros: tem águas territoriais, tem isso, tem aquilo, maternidades, cemitérios - e então Pimenta dá mais uma ideia para os políticos do país:

Era uma belíssima ideia juntar, fazer dos jardins das maternidades os cemitérios. Apanhava a vida em seu sentido total, não é mesmo? Os cemitérios são uns dos lugares mais agradáveis neste país para passear. São os únicos lugares limpos, são muito sossegados, são serenos.
Não tem aquela coisa que a outros portugueses incomoda tanto que é os namorados a beijarem-se. Isso é uma coisa que incomoda a muitos portugueses que é o afeto. O beijo, principalmente, se for intenso.

ALBERTO PIMENTA, NOVAS SOBRE A LIBERDADE


o dia trece de febreiro leremos ao poeta libertario ALBERTO PIMENTA, é un dos poetas vivos mais impotantes de Portugal. Atravesa parte do século XX coa súa voz izada sobre as escombrearas da mentira, sobre as ruínas do Poder. Imposible silenciar ao poeta libre como condicion da dignidade. Un home que jamas dobrouse ante a violencia do medo que o poder xestiona. Terlle entre nós é un pequeno acontecemento.
Estais todos invitados o Luns 13 de febreiro ás sete e media da tarde, como é habirual na BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FERROL. Saúde


Alberto Pimenta (Porto, 26 de Dezembro de 1937) é um escritor, poeta e ensaísta português.
É professor convidado na Universidade Nova de Lisboa.

Destaca-se entre os autores europeus contemporâneos pelo carácter crítico e irreverente da sua obra, bem como pela diversidade dos géneros abordados: poesia, ficção, teatro, linguística, crítica, e até mesmo happenings e performances.
Pimenta foi Leitor de Português em Heidelberg, contratado pelo governo português a partir de 1960 até 1977, data em que regressa a Portugal.
O caráter insurrecto e experimental da sua obra ainda tornam Alberto Pimenta um autor controverso no meio académico português.


Poesia publicada: 1970 - O labirintodonte (Lisboa); 1971 - Os entes e os contraentes (Coimbra); 1973 - Corpos estranhos (Coimbra); 1977 - Ascensão de dez gostos à boca (Coimbra); 1980 - Jogo de pedras (Lisboa: Apia) - Antologia; 1981 - Canto nono (Lisboa); 1982 - Homilíada Joyce (in Joyciana, com Ana Hatherly, E. M. de Melo e Castro e António Aragão, Lisboa: &etc); 1983 - In modo di-verso, (Salerno: Ripostes); 1984 - Adan (Lima: Hueso número); 1984 - Read Read & Mad (Lisboa: &etc); 1986 - Metamorfoses do vídeo (José Ribeiro Editor); 1988 - The Rape (Lisboa: Fenda); 1990 - Obra quase incompleta (Lisboa: Fenda) - Poesia reunida; 1992 - Tomai, isto é o meu porco (Lisboa: Fenda); 1992 - A divina multi(co)média (Lisboa: &etc); 1993 - Santa copla carnal (Lisboa: Fenda); 1996 - A sombra do frio na parede (Porto: Edições Mortas); 1997 - Verdichtungen (Viena: Splitter); 1998 - As moscas de pégaso (Lisboa: &etc); 1998 - Ainda há muito para fazer (Lisboa: &etc); 2000 - Ode pós-moderna (Lisboa: &etc); 2001 - Grande colecção de inverno 2001-2002 (Lisboa: &etc); 2002 - Tijoleira (Lisboa: &etc); 2004 - A encomenda do silêncio (São Paulo: Odradek Editorial) - Antologia; 2005 - Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta (Lisboa: &etc); 2006 - Imitação de Ovídio (Lisboa: &etc); 2007 - Indulgência plenária (Lisboa: &etc); 2007 - Planta rubra (Lisboa: &etc); 2008 - Prodigioso Acanto (Lisboa: &etc)


Ler biobibliografia pormenorizada em : Wikipédia


A. Pimenta não está na poesia para carpir males, fazer montra com o que saiba; não é a sua moeda de troca a salsugem baça e falsa da chamada cultura. Não come desse pão. Apenas poderemos esperar o inesperado – como no rifão quase pop –, o real feito por quem se expõe na arena nua e assustadora dos poemas, de outras jaulas. É alguém que se entrega em quanto tem para oferecer, em cada breve, em cada extenso pouco ou muito de si – «nós/com a boca/saboreamos/lanhos/que a nossa boca/abriu/e que nunca mais/cicatrizarão.» (p. 29)

A sua poesia vive dos atropelos de cada aspecto (seria impossível delimitar o seu escopo) da vida; no seu desconcerto, diz-nos mais sobre o podre de cada dia do que as mais puras derramadas lírico-doces elegias do nosso (des)contentamento. Em Alberto Pimenta, poesia é puro combate: contra o absurdo de viver, o absurdo radical, o tão informado, destruído mundo das palavras que se movem entre as ruínas e os cantos elevados do corpo – «sinto já/as tuas veias crescidas/do sangue que se apressa,/com um gesto do corpo todo/esperas…/ah, que eu as siga/não só com os olhos./repara como estou/preso agora/neste dobre de palavras!» (p. 16) Como podemos ler, depois de A. Pimenta, nessas tépidas águas em que navegam grande parte dos poetas de Portugal? Não há prebendas, não há prémios, não há Gallimard, nojo internáutico, náusea pós-moderna para este poeta tão pouco literário. Quanto mais perto da vida, mais longe de tudo isso. São dele estas palavras: «de todos os poetas vivos e mortos sou o menos poético por ser o mais exacto» (numa conferência intitulada A Metáfora Sinistra, em que trata o tema da masturbação, vista pela escrita).

Por que motivo, então, Ovídio? Como o poeta, nos seus Tristia, que Pimenta cita em epígrafe, há um diálogo com uma segunda pessoa – «nós somos um par de instrumentos solitários/também solidários/o nosso papel é pequeno/começa e acaba aí.» (p. 9) –, que vive dentro dos poemas (se me desculpam a frase) e que o poeta toca e chama com os seus versos. Talvez porque A. P. tenha, aqui, construído não um novelo de mitos, como Ovídio, nas Metamorfoses, mas um real que nos surge como mágico, como a face do que seja o amor – «algo em mim/caminha/ ao teu encontro» (p. 43). Talvez, ainda, porque Alberto Pimenta nos apresenta uma espécie de cosmologia que, sendo vivida no deserto de dois, se abre ao mundo que os recebe, que os lê, para se desintegrar, como o tempo. Tempo esse que, de resto, é veio essencial nestes versos, especialmente, mas não só, no segundo momento de Imitação de Ovídio. É um tempo de dentro, mas não solipsista e escavado; mas é, na verdade, interno – «este nosso futuro presente/dentro de si» (p. 25). O poema instala um tempo definitivamente não cronológico (e, contudo, como não o ser?), que corrompe, em silêncio, a lógica, o mundo, a duração «o tempo/é uma equação./nós sabemos que não». Será isso?


OUTRA PEDRIÑA:
"Portugal é "igualzinho" aos outros: tem águas territoriais, tem isso, tem aquilo, maternidades, cemitérios - e então Pimenta dá mais uma ideia para os políticos do país:

Era uma belíssima ideia juntar, fazer dos jardins das maternidades os cemitérios. Apanhava a vida em seu sentido total, não é mesmo? Os cemitérios são uns dos lugares mais agradáveis neste país para passear. São os únicos lugares limpos, são muito sossegados, são serenos.
Não tem aquela coisa que a outros portugueses incomoda tanto que é os namorados a beijarem-se. Isso é uma coisa que incomoda a muitos portugueses que é o afeto. O beijo, principalmente, se for intenso.

ALBERTO PIMENTA, NOVAS SOBRE A LIBERDADE


o dia trece de febreiro leremos ao poeta libertario ALBERTO PIMENTA, é un dos poetas vivos mais impotantes de Portugal. Atravesa parte do século XX coa súa voz izada sobre as escombrearas da mentira, sobre as ruínas do Poder. Imposible silenciar ao poeta libre como condicion da dignidade. Un home que jamas dobrouse ante a violencia do medo que o poder xestiona. Terlle entre nós é un pequeno acontecemento.
Estais todos invitados o Luns 13 de febreiro ás sete e media da tarde, como é habirual na BIBLIOTECA MUNICIPAL DE FERROL. Saúde


Alberto Pimenta (Porto, 26 de Dezembro de 1937) é um escritor, poeta e ensaísta português.
É professor convidado na Universidade Nova de Lisboa.

Destaca-se entre os autores europeus contemporâneos pelo carácter crítico e irreverente da sua obra, bem como pela diversidade dos géneros abordados: poesia, ficção, teatro, linguística, crítica, e até mesmo happenings e performances.
Pimenta foi Leitor de Português em Heidelberg, contratado pelo governo português a partir de 1960 até 1977, data em que regressa a Portugal.
O caráter insurrecto e experimental da sua obra ainda tornam Alberto Pimenta um autor controverso no meio académico português.


Poesia publicada: 1970 - O labirintodonte (Lisboa); 1971 - Os entes e os contraentes (Coimbra); 1973 - Corpos estranhos (Coimbra); 1977 - Ascensão de dez gostos à boca (Coimbra); 1980 - Jogo de pedras (Lisboa: Apia) - Antologia; 1981 - Canto nono (Lisboa); 1982 - Homilíada Joyce (in Joyciana, com Ana Hatherly, E. M. de Melo e Castro e António Aragão, Lisboa: &etc); 1983 - In modo di-verso, (Salerno: Ripostes); 1984 - Adan (Lima: Hueso número); 1984 - Read Read & Mad (Lisboa: &etc); 1986 - Metamorfoses do vídeo (José Ribeiro Editor); 1988 - The Rape (Lisboa: Fenda); 1990 - Obra quase incompleta (Lisboa: Fenda) - Poesia reunida; 1992 - Tomai, isto é o meu porco (Lisboa: Fenda); 1992 - A divina multi(co)média (Lisboa: &etc); 1993 - Santa copla carnal (Lisboa: Fenda); 1996 - A sombra do frio na parede (Porto: Edições Mortas); 1997 - Verdichtungen (Viena: Splitter); 1998 - As moscas de pégaso (Lisboa: &etc); 1998 - Ainda há muito para fazer (Lisboa: &etc); 2000 - Ode pós-moderna (Lisboa: &etc); 2001 - Grande colecção de inverno 2001-2002 (Lisboa: &etc); 2002 - Tijoleira (Lisboa: &etc); 2004 - A encomenda do silêncio (São Paulo: Odradek Editorial) - Antologia; 2005 - Marthiya de Abdel Hamid segundo Alberto Pimenta (Lisboa: &etc); 2006 - Imitação de Ovídio (Lisboa: &etc); 2007 - Indulgência plenária (Lisboa: &etc); 2007 - Planta rubra (Lisboa: &etc); 2008 - Prodigioso Acanto (Lisboa: &etc)


Ler biobibliografia pormenorizada em : Wikipédia


A. Pimenta não está na poesia para carpir males, fazer montra com o que saiba; não é a sua moeda de troca a salsugem baça e falsa da chamada cultura. Não come desse pão. Apenas poderemos esperar o inesperado – como no rifão quase pop –, o real feito por quem se expõe na arena nua e assustadora dos poemas, de outras jaulas. É alguém que se entrega em quanto tem para oferecer, em cada breve, em cada extenso pouco ou muito de si – «nós/com a boca/saboreamos/lanhos/que a nossa boca/abriu/e que nunca mais/cicatrizarão.» (p. 29)

A sua poesia vive dos atropelos de cada aspecto (seria impossível delimitar o seu escopo) da vida; no seu desconcerto, diz-nos mais sobre o podre de cada dia do que as mais puras derramadas lírico-doces elegias do nosso (des)contentamento. Em Alberto Pimenta, poesia é puro combate: contra o absurdo de viver, o absurdo radical, o tão informado, destruído mundo das palavras que se movem entre as ruínas e os cantos elevados do corpo – «sinto já/as tuas veias crescidas/do sangue que se apressa,/com um gesto do corpo todo/esperas…/ah, que eu as siga/não só com os olhos./repara como estou/preso agora/neste dobre de palavras!» (p. 16) Como podemos ler, depois de A. Pimenta, nessas tépidas águas em que navegam grande parte dos poetas de Portugal? Não há prebendas, não há prémios, não há Gallimard, nojo internáutico, náusea pós-moderna para este poeta tão pouco literário. Quanto mais perto da vida, mais longe de tudo isso. São dele estas palavras: «de todos os poetas vivos e mortos sou o menos poético por ser o mais exacto» (numa conferência intitulada A Metáfora Sinistra, em que trata o tema da masturbação, vista pela escrita).

Por que motivo, então, Ovídio? Como o poeta, nos seus Tristia, que Pimenta cita em epígrafe, há um diálogo com uma segunda pessoa – «nós somos um par de instrumentos solitários/também solidários/o nosso papel é pequeno/começa e acaba aí.» (p. 9) –, que vive dentro dos poemas (se me desculpam a frase) e que o poeta toca e chama com os seus versos. Talvez porque A. P. tenha, aqui, construído não um novelo de mitos, como Ovídio, nas Metamorfoses, mas um real que nos surge como mágico, como a face do que seja o amor – «algo em mim/caminha/ ao teu encontro» (p. 43). Talvez, ainda, porque Alberto Pimenta nos apresenta uma espécie de cosmologia que, sendo vivida no deserto de dois, se abre ao mundo que os recebe, que os lê, para se desintegrar, como o tempo. Tempo esse que, de resto, é veio essencial nestes versos, especialmente, mas não só, no segundo momento de Imitação de Ovídio. É um tempo de dentro, mas não solipsista e escavado; mas é, na verdade, interno – «este nosso futuro presente/dentro de si» (p. 25). O poema instala um tempo definitivamente não cronológico (e, contudo, como não o ser?), que corrompe, em silêncio, a lógica, o mundo, a duração «o tempo/é uma equação./nós sabemos que não». Será isso?


OUTRA PEDRIÑA:
"Portugal é "igualzinho" aos outros: tem águas territoriais, tem isso, tem aquilo, maternidades, cemitérios - e então Pimenta dá mais uma ideia para os políticos do país:

Era uma belíssima ideia juntar, fazer dos jardins das maternidades os cemitérios. Apanhava a vida em seu sentido total, não é mesmo? Os cemitérios são uns dos lugares mais agradáveis neste país para passear. São os únicos lugares limpos, são muito sossegados, são serenos.
Não tem aquela coisa que a outros portugueses incomoda tanto que é os namorados a beijarem-se. Isso é uma coisa que incomoda a muitos portugueses que é o afeto. O beijo, principalmente, se for intenso.